domingo, 12 de junho de 2011

O SER MULHER.

Apanhar dos pais, dos irmãos, dos tios, dos avôs, dos namorados, dos noivos, dos maridos era comum, o maior talento era o de agüentar calada.
Espancada em casa, esmurrada nas ruas, nos ônibus, em qualquer lugar, ninguém ligava, era um direito dos maridos, do homem.
Podia trabalhar, desde que autorizada pessoalmente pelo marido, pelo homem, que ao final do mês recebia o salário.
Em teatros, cinemas, restaurantes, só acompanhadas por seus maridos, o homem, em determinados lugares, como bares, nem pensar.
Enquanto o marido, o homem, conversava se estivesse no mesmo ambiente permanecia calada. Para sair, devia pedir licença.
Nas ruas, era seu dever andar de cabeça baixa.
Mulheres estupradas? Imagine, eram demônios de saia, bruxas que enfeitiçavam os coitados levando-os a fazer o que não queriam.
Quando ousaram reivindicar direitos como operárias, preferiram queimar a fabrica, com elas dentro.
Podiam ser mortas por presunção de traição pelos maridos, o homem, que alegava ter a honra ofendida.
Foram avós, mães e filhas, mulheres, donas de casa, e hoje são Presidentes da Republica mas, parece que não perceberam, ainda.

Ivan de s. machado

domingo, 5 de junho de 2011

TEMPOS FELIZES!

                                                                                                           Ao meu irmão Titi
 
O barulho das rodas do trem sobre o trilho, fez com que olhasse pelas janelas do vagão.
Lá fora se descortinavam paisagens belas, umas mais que outras.
Embevecido o olhar trouxe riso, a seu até então, carrancudo rosto.
O que via fê-lo recordar imagens de infância há muito, em um canto qualquer, quarnecidas.
“A chuva caiu sem parar torrencialmente. O aguaceiro desceu forte.
No cruzamento de duas ruas, formava quase que uma piscina.
Era lá que estávamos eu e meu irmão, no meio da enxurrada.
Adorávamos a chuva.
É como se naquela época, a chuva fosse só um bem. O ribombar do trovão apenas um susto. Flashes dos relâmpagos, holofotes a nos iluminar.
Ensopados, cobertos de lama da cabeça aos pés, fazíamos parte da natureza, incorporávamos nela e ela em nós.
Sentíamo-nos mais fortes, mais vivos.
Jamais ficamos doentes, e mamãe nunca soube."
ivan de souza Ngmachado

segunda-feira, 23 de maio de 2011

O ASSASSINATO DO PROFESSOR!


Um filósofo pensa a sociedade com décadas de antecipação, quando um governo adota este pensar, como modelo educacional integrado a seu sistema, o faz consciente de que os efeitos serão sentidos por longo tempo.
O sistema educacional, implantado em São Paulo, chamado de “PROGRESSÃO CONTINUADA”, parece inspirado em obra de ficção, a mim faz lembrar:” *A Republica de Saló” *.
Senão vejamos, dentro de um sistema educacional, a figura do Professor é impar, representa o saber, o conhecimento, as crianças, os alunos, devem tê-lo sempre como exemplo e respeito.
Ao tirar do aluno a obrigação de aprender, para passar de ano, quebrou-se a hierarquia e a disciplina, destruindo a autoridade e o respeito ao Professor, reduzindo-o a mero coadjuvante.
Passou a ser figura decorativa, a não mais ser ouvido, acatado, culminando por ser agredido, algumas vezes dentro da própria sala de aula.
O sistema o enfraqueceu ainda mais, ao não aumentar seus proventos por anos, obrigando-o a trabalhar em outras funções, não permitindo, conseqüente aprimoramento.
A criança, aparentemente assim educada, chega a um determinado instante, em que tem ancorado, estacionado, seu progresso educacional, não conseguindo ir adiante, formando uma massa intelectual medíocre, facilmente subjugada pela classe dominante, esta sim, educada em renomados estabelecimentos privados, criando uma “casta superior”.
Estas crianças, daqui a década ou décadas, terão seus filhos, transmitirão os mesmos conceitos, instituídos através de um sistema que virtualmente educa, sem precisar aprender, gerando uma massa robótica, pronta a obedecer a qualquer político charlatão.

·         “A REPUBLICA DE SALÓ – FILME DE PIÉR PAOLO PASOLINI, CINEASTA ITALIANO, SOBRE O FASCISMO”


ivan de souza machado