sábado, 2 de julho de 2011

MINHAS MÃOS EM TEUS CABELOS...!

Deitada no chão ao teu lado,
acariciam delicadamente
Sentia o calor do teu corpo,
pouco a pouco, ir-se indo
Lembrava do que fizemos
quantas vezes juntos
De vermelho tinge o chão,
teu sangue a mim também
Impregna minhas mãos,
meu corpo e minha alma
Lágrimas misturam-se ao Carmim,
enquanto sussurro ao teu ouvido
Pedindo a Deus que ouça,
e O traga de volta...
Filho meu!

ivan souza machado

sexta-feira, 24 de junho de 2011

O COLETOR DE LIXO.

A impressão era de que o cheiro tinha se incorporado a ele, como fosse parte do lixo. As pessoas o evitavam. Quando em serviço, pedia um copo d’água, quem o atendia procurava de todas as maneiras um copo descartável ou algo que não fizesse falta ou simplesmente dizia não ter.
No ônibus, percebia alguns torcendo o nariz ou tapando quando estavam próximos a ele. Não sabia se era sua imaginação, mas sentia-se excluído, à margem da sociedade, a mesma que com seu trabalho lutava para manter limpa.
Gostava do que fazia. Acostumou-se a fazê-lo. Acreditava que se não fosse por ele ratos, baratas, moscas e toda sorte de doenças, proliferaria causando sabe-se lá quanta desgraça.
Quem em sã consciência, nesta sociedade consumista, que produz toneladas de lixo por segundo, consegue imaginar a não existência do trabalho dos coletores de lixo.
Como é possível a vida sem eles?
Esta percepção da importância do seu trabalho para a sociedade, é que faz com que levante todos os dias para exercer sua profissão, sem se importar com os narizes tapados, os olhares desviados, os bons dias nãos dados ou os copos d’água recusados.
Precisam dele, na verdade não vivem sem ele.

"Lixeiro são todos aqueles que produzem lixo."

ivan souza Ngmachado


domingo, 12 de junho de 2011

O SER MULHER.

Apanhar dos pais, dos irmãos, dos tios, dos avôs, dos namorados, dos noivos, dos maridos era comum, o maior talento era o de agüentar calada.
Espancada em casa, esmurrada nas ruas, nos ônibus, em qualquer lugar, ninguém ligava, era um direito dos maridos, do homem.
Podia trabalhar, desde que autorizada pessoalmente pelo marido, pelo homem, que ao final do mês recebia o salário.
Em teatros, cinemas, restaurantes, só acompanhadas por seus maridos, o homem, em determinados lugares, como bares, nem pensar.
Enquanto o marido, o homem, conversava se estivesse no mesmo ambiente permanecia calada. Para sair, devia pedir licença.
Nas ruas, era seu dever andar de cabeça baixa.
Mulheres estupradas? Imagine, eram demônios de saia, bruxas que enfeitiçavam os coitados levando-os a fazer o que não queriam.
Quando ousaram reivindicar direitos como operárias, preferiram queimar a fabrica, com elas dentro.
Podiam ser mortas por presunção de traição pelos maridos, o homem, que alegava ter a honra ofendida.
Foram avós, mães e filhas, mulheres, donas de casa, e hoje são Presidentes da Republica mas, parece que não perceberam, ainda.

Ivan de s. machado