quarta-feira, 2 de janeiro de 2013

A LÁGRIMA!


garoa em tarde pálida

embaça o vidro e o olhar

apertado peito respira doído

coração bate não querendo

pensamento luta para não lembrar

a mente teima em recordar

no olhar uma lágrima equilibra-se

feito trapezista, recusa cair.

encosta a cabeça no frio vidro da janela

a saudade invade o corpo teu

a lágrima... Perde o equilíbrio!

ivan de souza machado.

quinta-feira, 20 de dezembro de 2012

RETRATO DO PAI, A CARA DA MÃE!

Sempre quis ser igual ao pai, mas o destino o fez igual à mãe.

O pai, seu herói, nunca entendeu os olhares a ele dirigidos de admiração, de respeito e amor.

Na escola quando muito pequeno, lembra-se do pai e da mãe juntos levando e buscando.

Conforme o tempo passava e mais velho ficava, mais distante o pai andava. Juntos não mais a escola seus pais foram, só a mãe.

Seus sentimentos pelo pai nunca diminuíram, mesmo quando de casa o expulsou. A tapa na cara não doeu tanto quanto suas palavras.

O seu herói, aquele a quem seus olhares de admiração e respeito sempre foram dirigidos, disse ter vergonha, nojo, desprezo dele.

Mesmo quando na calçada sua mãe dando um beijo despediu-se, abraçou-a pedindo que sossegasse seu coração, por que o amor que sentia por eles jamais diminuiria.

Assim começou seu caminhar pela vida.

Subiu muitas escadas, escorregou e caiu também, mas nunca desistiu do que Deus, através dos pais, dera-lhe: “A vida!”.

Quando o pai ficou doente, correu a socorrer levando-o a um hospital.

Sem poder falar, seu pai olhou-o pela última vez.
O mesmo olhar que como filho sempre dedicara a ele: “De amor”!

 

Ivan de Souza machado

sábado, 17 de novembro de 2012

PERDIDO !

  1. Subo e desço a rua e não me encontro.
    Não pergunto. Procuro. Sem ela sou assim.
    Tropeço a cada andar
    Tateio sem nada encontrar
    Sem rumo sem prumo
    Surdo no som me guio
    Sua voz não está em meus ouvidos, mas na minha cabeça.
     Brincando com minha mente.
    Desorientado desnorteado
    Perdido desesperado
    Como um náufrago em alto mar, olho e só vejo água.
    A solidão é tanta quanto fosse eu o único a existir.
    Pássaros voam sobre mim
    Grasnam como a rir.
    A sede de você é tanta que meu coração esta seco.
    O ar que entra em meus pulmões, de tão quente evapora o que resta de esperança em mim.
    A areia do deserto
    Afunda sob meus pés
    Penetra em minha boca
    Cola em minha língua
    Sufoca minha garganta
    Falta ar.
    Entre soluços, sigo a caminhar.
    Sei... Não vou mais lhe encontrar.

    Ivan de Souza machado