domingo, 18 de outubro de 2015

LÍVIA





Tentou evitar. Não era possível, ainda mais aos sessenta e cinco anos. Apaixonou-se.

E foi amor à primeira vista.  Quando a viu através do vidro, no berçário, nos braços da enfermeira, ficou emocionado, não pode segurar as lágrimas.

Terminava ali a expectativa de nove meses. Sua filha, única entre três filhos, dera à luz a uma menina. Sua netinha: Lívia!

Lembra de ter ficado feliz desta maneira cinco vezes: Nos nascimentos dos filhos e do neto.

A vida, ganhamos de graça de nossos pais, o que fazemos com ela é nossa responsabilidade.

Quando temos a oportunidade de termos filhos, ganhamos também a chance de transmitirmos o que temos de melhor: “O conhecimento”.

Aprendemos com nossos avôs e com nossos pais, a balbuciar as primeiras palavras, a dar os primeiros passos, a levantar de todas as quedas, são nossos primeiros e mais importantes Professores.

Quando nos tornamos avós, é como se ganhássemos um grande prêmio, como se a nós fosse permitido, novamente, ver nossos filhos crescerem.

Podermos agora, “curtir”, brincar com eles, ensinar a parte boa da vida, sermos seus melhores amigos. A outra parte, cabe aos pais.

Em tudo o que errei com meus filhos, quero acertar com meus netos.

Agradeço todos os dias ao SENHOR, por permitir a nós, seus avós, estarmos vivos e participarmos desta mágica.


ivan de s. machado

segunda-feira, 13 de abril de 2015

PRECE AOS DESAFETOS!


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 -O que a vós posso desejar?
-Que tenhas nesta e n’outras vidas, a mostrar o caminho, um poeta, tão bom quanto Virgílio.
-Que ao chegar às margens do triste rio, Aqueronte, nele não precise mergulhar.
-Que lá esteja Caronte, em bom porto a lhe esperar.
-Que em ígneas e candentes pedras, não sinta teus pés, ao nelas pisar.
-Que a arfante peito, ar não falte, ainda que quente e ácido, para que de faminto Cérbero, fugir possa.
-Que quando angústia desmedida invadir tua lembrança, não tenha em mim, mísero e vingativo anjo, a justificar teu calvário.
-Que possa ainda alçar tua cabeça, da fétida lama em que te encontra, e entre labaredas teus ais ecoem, reverberando no bálsamo de preces minhas.
-Que o desejo de imortalidade, que através do acúmulo de reluzente metal buscaste, finalmente logrado êxito tenha, e para todo o sempre, possa em escaldante rio mergulhar. -AMÉM!





ivan s. machado

domingo, 12 de abril de 2015

A BALA PERDIDA !


 


 Ao voltar para casa,
Cansado e com fome,

sua esposa o serviu.
Não teve tempo,
Nem do garfo à boca levar.
Ao ouvir o estampido conhecido,
No cotidiano do morro carioca onde vive,
Por instinto jogou-se mesa abaixo.
Sua espôsa, sua senhora, sua companheira,
o seu amor, não foi tão rápida.





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