terça-feira, 8 de março de 2016

A HERANÇA

Acreditava, quando jovem, que meu pai e as pessoas da idade dele achavam entender e saber de tudo.
Hoje sei, que apenas desejavam transmitir conhecimentos adquiridos, sabiam que o tempo e a convivência seriam breves.

Tenho quase a mesma idade que meu pai ao partir.
O pouco que sei, a quem escuta, parece demais.
O Tempo para quem ouve pode ser longo, para quem fala é sempre curto. Sensação de que faltou algo a ser dito, comentado, discutido, criticado.
A voz, é a energia do pensamento transformada em áudio, tal qual a escrita em visual.
Ao transmitir o que sabemos ou crermos saber podemos parecer pedantes, chatos, arrogantes, tolos por querer facilitar caminhos, atalhos, evitando armadilhas e buracos que já caímos, histórias que vivemos ou fomos testemunha ocular.
O Tempo nos faz querer deixar como fosse eterno o nosso conhecimento, o nosso saber, o nosso  pensar.

ivan de souza machado

VALENTE


                                                                                                                       A Luíz Rogério da Fonte



Não importa em quantas pedras irá tropeçar, nem quanto tempo levará para erguer-se.
Valente é o que assume suas culpas. Que não mente, principalmente, a si próprio.
Valente é o que olha no espelho e vê realmente quem é.
Valente tem a sua opinião, não teme o contraditório, independente da maioria, respeita a de outros.
Valente nunca é o forte, nem o que está armado ou com muitos ao lado, mas o que não teme enfrentá-los, mesmo sabendo que irá perder.
"Covarde é o que está sempre ao lado do mais forte"
  



ivan de souza machado

segunda-feira, 19 de outubro de 2015

NAVEGANTES NAS CARAVELAS.


Os europeus não gostavam de tomar banho, até hoje não gostam muito. Imaginem na época das caravelas, ficavam anos sem.
Para nós, que tomamos banhos diários, é quase impossível imaginar tal coisa.
Pulgas, percevejos, piolhos, além de ratos e pombas, acompanhavam os navegantes da época,
aonde quer que fossem.



O caminho das índias era o mais procurado, então, a cada porto desembarcado, junto iam todas as doenças e seus transmissores.



Ao embarcarem de volta ao navio, traziam as doenças locais e seus vetores.



Assim como não tomavam banho, não lavavam suas vestes, o que as tornavam casas ambulantes de toda sorte de parasitas.
Quando depois de navegarem por tantos mares e portos distantes e diferentes, a caça de tesouros e especiarias, aqui chegaram, trouxeram todas as doenças e vetores que ao longo do caminho amealharam.
Ao desembarcarem, encontraram um povo diferente, com estranhos costumes, por andarem nus, cultuavam o corpo cuidando dele, mantendo-o limpo, entre outras coisas, tomando banhos diários.
As pulgas, piolhos e percevejos logo atacaram os locais, disseminando varíola, peste bubônica, alergias, e toda sorte de doenças conhecidas e desconhecidas.
Além do cheiro nauseabundo que exalavam, seus corpos trouxeram a gripe.
Os ratos logo se espalharam, destruindo plantações e espalhando outro tanto de doenças.
As pombas viraram uma praga urbana, são ratos  voadores , espalhando seus piolhos e fezes pelo ar, transmitem entre outras doenças, a meningite.
Na época do desembarque, segundo historiadores, existiam mais de cem milhões de residentes, em poucos anos, uns poucos milhares.
Para sobreviverem, embrenharam-se na mata, permanecendo ocultos por séculos.
Estranho que até hoje, este nosso costume cause espanto, em quem é do lado de lá.


ivan de s. machado