domingo, 17 de abril de 2011

O TAMANHO DO ESCRITOR.


Consoante com sua consciência, dissonante das regras, aparentemente impostas pela sociedade, o papel do Escritor é incomodar, jamais conformar-se quando a unanimidade tende a ser empurrada, socada goela abaixo, como existisse o *“Ministério da Verdade,” tornando a ficção tão real, que em carne e osso, mas sem cabelo, assusta aqueles que fazem do livre pensar, do respeito às idéias, um Direito inalienável do ser humano, o Cidadão.
A Lógica nos faz refletir, nos faz questionar.
 A emoção levada ao extremo confunde a razão.
A mídia maniqueísta trabalha a dualidade simbólica entre o bem e o mal, céu e inferno, Deus e o Diabo, transformando a massa, dando o sabor que interessa a seu paladar.
Manipulando idéias, construindo ideais mistura Deus e o inferno, céu e o mal, bem e o Diabo.
Do seu Caldeirão, sai à sopa que alimenta a mente e a idéia de quem toma, consome, digere e ainda, como Cidadão Exemplar que é, leva um pouco para distribuir aos mais necessitados.

ivan de s. machado

* “Ministério da Verdade” da obra de George Orwell 1984”

sábado, 16 de abril de 2011

PARADOXAL SOLIDÃO !


A solidão que pretensamente, alguns teimam em se encontrar, não é senão egoísmo e vaidade.
Se ao nosso lado, Ele sempre está, onisciente e onipresente, como podemos crer sermos os únicos a isolarmos-nos de sua presença, e continuar a existir.
Como podemos nos querer tão grandes, se nem a formiga, nossa sombra encobre.
Como a gota que cai da folha, na mansidão das águas do lago, assim é o ser dentro do contexto de humanidade. Ao fazer parte de um todo, inexiste a individualidade do ser.
Como pode alguém, achar-se tão especial, crendo ser em todo o universo, o único a não tê-LO ao lado.
A gota ao cair nas águas do lago, tornasse o próprio lago!


ivan de s. machado

domingo, 3 de abril de 2011

METAMORFOSE


“Não pense que ao morrer serás diferente, terás os mesmos vícios, o mesmo amor, serás o mesmo que fostes na Terra. - Jesus, o Cristo”




“Metamorfoseamo-nos em várias fases da vida. Criamos arquétipos que nos possibilitam sobreviver, chegamos finalmente a uma idade em que podemos ser nós mesmos, mas descobrimos que não sabemos mais quem somos. Foram tantos os personagens, que confundimos os papéis.
Transformamos-nos de feto em bebe, depois em criança, após metamorfoseamo-nos em adolescentes, destes em adultos, então em idosos, por último voltamos ao útero sob a Terra.
Fomos filhos, filhas, pais, mães, netos, netas, avôs e avós, papéis principais num oceano de secundários, estudantes, professores, operários, patrões. Fomos pobres, fomos ricos, bons ou maus, não importa, somos todos personagens criados como cópias de outros, que já viveram os mesmos papéis, nós é que achamos sermos os únicos, os autênticos a viverem estes papéis.
A pessoa, ao seu lado no ônibus, metro, na rua, no restaurante, no cinema, no teatro, no bar, no trabalho, na escola ou em qualquer outro lugar é um personagem.
Assim como você, assim como eu, assim como todos nós.”
Sentado na praça, no horário de almoço, ouvia atentamente um senhor morador de rua, expor suas idéias a uma árvore, que ouvia atentamente.
“Aquele que se acha melhor que o outro, não percebe que é apenas o seu personagem, que é mais bem preparado para o papel, pelo Escritor que Criou o texto, ou seja, o papel não é dele, está com ele, pode ser tirado a qualquer instante, de repente pode vir a fazer o meu personagem, e eu o dele.”
Estava acabando minha hora de almoço, tinha que assumir um de meus personagens secundários, amanhã com certeza volto, tomara que ele esteja, senão terei que perguntar o que mais falou à árvore.


ivan de s.machado
 





SONHOS E POESIA!


"A vida inspira o Poeta, seus sonhos transformam-a em poesia”



Poeta sim, pois, sou um Sonhador. Não existe sonho sem poesia, não existiria Poesia se não houvesse, quem colocasse seus sonhos em versos.
Temos que buscar a perfeição do Parnasianismo, mas não podemos permitir que a técnica supere o dom que o Poeta tem de transmitir sentimentos que trás dentro de si, provocando no leitor toda emoção, toda paixão, todo amor, toda a saudade que só a Poesia é capaz.
Desde que o ser humano aprendeu a expressar seus sentimentos, demonstrou de várias maneiras, seguramente, a Escrita foi e é a principal delas, e a Poesia sua maior expressão.
Foram escritos dezenas de milhares de Poemas em todas as línguas, outros milhares serão, sempre com o olhar dos acontecimentos ao redor, sempre falando dos mesmos sentimentos, ódio, paixão, traição, amor, sempre iguais, diferentes na essência, como nós, somos todos seres humanos, mas nenhum igual ao outro.


“Pássaros voando levam minh’alma,
em sonhos, ao encontro da tua,
meu espírito flutua, voa Junto ao teu
Peço grito em voz alta socorro, socorro,
meu coração está tão cheio de amor, que temo exploda
pego tuas mãos, coloco-as sobre ele,
sinta então as batidas descompassadas,
dentro deste corpo que dorme, repousa...
enquanto sonha.”


ivan de s. machado

sábado, 2 de abril de 2011

DE JOELHOS NA BEIRA DO LAGO!


A Mércia Nakajima.


Quando o deixaram em paz, e as lágrimas puderam rolar pelo seu rosto, recordou o dia em que pelo vidro da maternidade, a viu pela primeira vez.

Depois quando a teve nos braços, tão pequenina, tão delicada que teve medo de machucar.
Quantas vezes trocou suas fraldas. Inúmeras levantou de madrugada, ao mais leve tossir.
De quando começou a gatinhar e a andar.
Dos passeios nos parques, das suas festas de aniversários. Do dia em que deixou suas bexigas cheias de gás, escaparem de suas mãozinhas, comprou outras, mas, ela queria que ele fosse buscar aquelas que estavam lá no céu.
Sorriu ao lembrar-se de suas risadas e de seu sorriso.
Ali de joelhos na beira do lago, sabia que o último pensamento dela fora:- ”Pai! Pai!!  Pai!!!”
 E ele não estava lá, não estava lá... não estava.

ivan de s. machado