sexta-feira, 24 de junho de 2011

O LIXEIRO.


A impressão era de que o cheiro tinha se incorporado a ele, como fosse parte do lixo.
As pessoas o evitavam. Quando em serviço, pedia um copo d’água, quem o atendia procurava de todas as maneiras um copo descartável ou algo que não fizesse falta ou simplesmente dizia não ter.
No ônibus, percebia alguns torcendo o nariz ou tapando quando estavam próximos a ele. Não sabia se era sua imaginação, mas sentia-se excluído, à margem da sociedade, a mesma que com seu trabalho lutava para manter limpa.
Gostava do que fazia. Acostumou-se a fazê-lo. Acreditava que se não fosse por ele ratos, baratas, moscas e toda sorte de doenças proliferaria causando sabe-se lá quanta desgraça.
Quem em sã consciência, nesta sociedade consumista, que produz toneladas de lixo por segundo, consegue imaginar a não existência do trabalho dos coletores de lixo.
Como é possível a vida sem eles?
Esta percepção da importância do seu trabalho para a sociedade, é que faz com que levante todos os dias para exercer sua profissão, sem se importar com os narizes tapados, os olhares desviados, os bons dias nãos dados ou os copos d’água recusados.
Precisam dele, na verdade não vivem sem ele.

Ivan de S. Machado

5 comentários:

  1. Belíssimo texto!

    Parabéns!

    Tenha um ótimo fim de semana... e dias de muita paz!

    Beijos vermelhos

    Sil

    Obs: A maior falha do ser humano é a ingratidão... e a falta de percepção para "aquilo" que realmente lhe é importante e essencial.

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  2. Mas pelo que percebemos ainda temos pessoas com percepção e que chamam a atenção, como é seu caso Ivan.

    Parabéns pelo texto, sempre lutando, da sua maneira para mostrar o que a sociedade se recusa a ver, perceber.

    Beijos

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  3. Bravo Ivan!

    A percepção das "pequenas" coisas aos olhos da sociedade, o torna grande, fazendo a vida ser ainda mais bela apesar de paradoxal...

    abraços poéticos e éticos

    Ester

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  4. Bravo Ivan!

    A percepção das "pequenas" coisas aos olhos da sociedade, o torna grande, fazendo a vida ser ainda mais bela apesar de paradoxal...

    abraços poéticos e éticos

    Ester

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  5. O problema e que ainda existem pessoas que acreditam serem melhores que todas as outras, quando na verdade, somos todos iguais.
    Aline

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