- Subo e desço a rua e não me encontro.Não pergunto. Procuro. Sem ela sou assim.Tropeço a cada andarTateio sem nada encontrarSem rumo sem prumoSurdo no som me guioSua voz não está em meus ouvidos, mas na minha cabeça.Brincando com minha mente.Desorientado desnorteadoPerdido desesperadoComo um náufrago em alto mar, olho e só vejo água.A solidão é tanta quanto fosse eu o único a existir.Pássaros voam sobre mimGrasnam como a rir.A sede de você é tanta que meu coração esta seco.O ar que entra em meus pulmões, de tão quente evapora o que resta de esperança em mim.A areia do desertoAfunda sob meus pésPenetra em minha bocaCola em minha línguaSufoca minha gargantaFalta ar.Entre soluços, sigo a caminhar.Sei... Não vou mais lhe encontrar.Ivan de Souza machado
sábado, 17 de novembro de 2012
PERDIDO !
terça-feira, 4 de setembro de 2012
DESABAFO !
Como pode acreditar quando diz que vai melhorar
o transporte público, se não utiliza.
Como pode alguém crer num político que diz que
vai investir na saúde pública, se dela não se serve.
Como pode alguém ter fé num político que diz que
não venderá nenhum patrimônio público, se seu antecessor e ele próprio venderam
por baixo preço, quase todas as empresas brasileiras.
Pergunte o valor da vida daquela criança,
daquela mãe em gestação, daquele idoso, daquela senhora que o médico não quis
atender, por não terem convênio e nem como pagar.
-Quitaram com a própria existência!
-Qual o valor?
O político sabe. Custa a verba que ele desviou
para a sua clinica, hospital particular ou de quem financiou sua campanha.
-Qual o valor?
O médico sabe. É o valor da mensalidade de um
convênio qualquer, é o valor de uma operação, de um tratamento.
-Custa cem, custam mil, dez mil, um milhão, não
importa.
Gostaria que dissessem qualquer um: -“Custa
quanto dar a eles a vida de volta?”
-Onde comprar? Qual shopping?
Ao juramento de Hipócrates, hoje agregasse outro:-
O do Hipócrita!
O valor da vida para o médico moderno
“globalizado” é em dólar ou euro, ouro o que seja.
Provoca mais comoção na mídia a morte de cães,
que a de uma criança pobre em um hospital qualquer.
-“Quando o Estado defende o Capital, quem o tem,
detém o Poder.”
“Aqueles
que não tem poder de consumo ou pouco tem estão à margem, tratados como
cidadãos sem classe, “vira-latas”, sem poder de influir ou mesmo sugerir
mudanças legalmente éticas a serem tomadas pelo Estado que os favoreçam, tais
como respeito à Constituição, através do respeito aos Direitos Civis.”
O crescente endividamento como inserção desta
população ao Capital, por meio do crédito a médio e longo prazo, levara ainda
mais para baixo os integrantes do sopé da pirâmide, cheia de ilusão da posse da
casa própria, do carro, da assistência médica, do que seja na realidade quanto
mais adquire, mais dívidas têm.
Quando o Estado se afasta do Cidadão, distância
também da Coisa Pública, fazendo com que tudo tenha que gerar lucro, todos os
bens e serviços outrora Patrimônio do Cidadão, tornam-se mercadorias, produtos
a serem comercializados.
Água, energia elétrica, saúde, educação, direito
de ir e vir, ao serem privatizados transformam o Cidadão em cliente, além de
impostos, só poderá utilizar mediante pagamento antecipado, o que antes era seu
Direito.
-Quanto vale a vida de uma criança ou de um
adulto?
A consciência de que o que tem que ser Padrão de
Qualidade e Referência é o que a todos nós pertence, não de graça, pagamos impostos
à vida toda e quase não utilizamos.
“O que é Público tem que ser o melhor, quer
seja a Educação, a Saúde, a Segurança, o Transporte, a Energia, a Comunicação e
os nossos funcionários.”
terça-feira, 7 de agosto de 2012
A MENINA QUE DESCOBRIU UM DOS MAIORES SEGREDOS DO UNIVERSO!
Adorava a
avozinha, gostava de ficar no colo dela bem aninhadinha, ouvindo as batidas do
seu coração.
Parecia fundo
musical das estórias que contava.
Um dia a
avozinha, muito séria, falou:- “Você quer saber de onde vêm todas as histórias
que há no mundo?”
- Quero vovó!
Respondeu, sem pestanejar.
- É um dos
maiores segredos que existem. Tem que ter paciência para aprender, leva tempo,
aliás, não se aprende nunca tudo, nem vivendo mil anos.
- Não faz
mal, avozinha. Sou muito nova, só tenho cinco anos.
- Está bem,
amanhã começaremos.
Duro foi
pegar no sono. Acordou cedinho. Correu a cozinha, já sentindo o cheiro gostoso
do café da avó.
-Bom dia
avozinha! Vamos começar?
-Bom dia,
meu amor! Calma. Primeiro vamos comer, depois começaremos.
Terminado,
foram para a sombra do cajueiro que havia no quintal dos fundos.
A Avozinha
sentou em um banco e a neta no chão à frente.
-Sabe
filhinha todos os segredos que existem no universo, inclusive o que só temos no
pensamento, podem ser revelados.
-Como
avozinha?
- Através das
letras. Pegue este graveto aí na sua frente e me dê aquele outro lá.
- Pronto
avozinha. E agora?
- Agora você
faz o que avozinha esta fazendo.
Com um
graveto nas mãozinhas, riscava o chão de terra batida imitando a avó.
-Dois riscos,
dizia a avozinha, imitando telhado de casa, com outro risco no meio, é o A.
- Um risco em
pé, tornava a avozinha, com meia bolinha em cima, do lado, e um rabinho de
cobra em baixo, é o é.
-Um risco em pé, falava a avozinha, com uma
bolinha bem pequena em cima, é o i.
-Uma bolinha, é o Ó, disse a avozinha.
-Dois riscos do lado e um embaixo, é o
U. Pronto. Você já sabe a primeira parte do
segredo. Tem que praticar todos os dias para não esquecer. Repita depois da
vovó: - “A, é i, ó, u.”
-A, É, I, Ó, U, repetiu a menina.
A avó foi para dentro de casa,
voltando com algo nas mãos.
-Isto é um caderno e um lápis,
conforme for aprendendo quero que vá escrevendo e repetindo tudo, esta bem?
-Esta bem avozinha! Respondeu enquanto
pegava o caderno e o lápis, pondo-se a escrever e ler em voz alta.
Não parou mais. Todos os dias a
avozinha ensinava letras novas e todos os dias, a menina juntava com as que já
sabia, escrevia e lia em voz alta.
-Agora, disse um dia, a avozinha vai
ensinar a escrever a sua primeira e mais importante palavra:- “Seu nome!”
Ela não disse nada, apenas olhou com
olhinhos brilhantes, como só criança sabe olhar.
-Não! Deixe os cadernos e lápis. Vamos
usar gravetos.
Sentou no mesmo lugar à sombra do
cajueiro, a menina a seus pés.
-Faça a letra que imita a cobra
rastejando, para cima.
-Assim:- s?
-Isto! Muito bem. Agora o risco em pé
e o pontinho em cima.
-i.
-A que é um risco grande sem pontinho.
-l.
-Aquela que você mais gosta:- "Um risco
em pé, com meia bolinha pro lado de lá e um rabinho de cobra embaixo."
-Hum! Hum! O e.
-Faça aquela que o risco sobe, faz uma
curva e desce.
- AH! Esta é o n.
-Chegamos à última letra:- "Repita a que
você mais gosta."
- É o e, avozinha.
-Levante-se.
-A menina obedeceu.
- Filha, você sabe seu nome? Perguntou
a avozinha com voz embargada.
-Sim, vovó!
-Então fale lendo a palavra que
escreveu no chão.
-Silene!...Silene!...Silene!
Emocionada, não conseguia mais parar
de ler e falar seu nome. Abraçou e beijou a avozinha, e saiu escrevendo seu
nome em todos os lugares que pode.
No dia seguinte ao acordar, a avozinha
estava ao lado de sua cama com um embrulho nas mãos, dizendo ser um presente.
Toda feliz abriu o pacote. Ficou
surpresa e um pouco decepcionada.
A avó percebendo passou as mãos em
seus cabelos.
-Isso, meu amorzinho, é o melhor
presente que posso lhe dar:- "Um livro!" Aí dentro tem todas as letras que
precisa compreender, quando conseguir terá desvendado o segredo mais sagrado da
vida:- "O conhecimento!"
Aos poucos, com a ajuda da avozinha,
foi entendendo todos os riscos que formam as letras, e com elas as palavras, e
com as palavras passou a ler e a escrever.
Através da leitura dos livros, pode viajar
e conhecer todos os cantos do planeta e fora dele, seus habitantes, suas
línguas, sua fauna, seus sentimentos.
Pode compreender o que era saudade, o
que era tristeza, solidão, alegria, dor, angústia, felicidade e amor. Descrever
acontecimentos de vidas alheias, o nascimento de um filho, a partida cheia de
tristeza, a chegada anunciada repleta de alegria.
Até que a busca do segredo tomou conta
de todo seu ser, e ao cumprir um pedido da avozinha, o de difundir o segredo
das letras, tornou-se Professora, assim maiúscula.
E um dia, ao rabiscar seu nome adicionou
Escritora.
Ivan de Souza Machado
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